ESCREVO AO VIVO


Poema-Reportagem no. 25

O Clown©
[Anízio Vianna]

Quando criança temia a tristeza do palhaço.
Não o palhaço em si. Não o palhaço amado.
Que escravizava o seu domingo pelo meu abraço.
Que ensaiava o improviso sem a nobreza do mágico.
Que, sem a leveza dos malabares, corria para a cochia:
Galã enjeitado pelas moças.
Aprendi a amá-lo na medida em que seu esforço se fazia notável:
suor e tinta derretidos no rosto daquele homem sem idade.
Em algum momento desejei ser sua criança preferida
e que, ao final do espetáculo,
ele me convidasse para o seu trailler
e a gente se comunicasse por mímica e,
dissessem o que dissessem, fosse ele o meu pai.
Com um lenço limparia aquele rosto borrado
e descobriria que o medo, sempre o medo, era infundado:
"- Suor, apenas suor, meu filho.
 Palhaços não têm lágrimas".



Escrito por Anízio Vianna às 11h36
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