ESCREVO AO VIVO


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Escrito por Anízio Vianna às 21h29
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Escrito por Anízio Vianna às 11h23
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Poema-Reportagem no. 30

aos que desejarem seguir viagem©
[Anízio Vianna]
 
aos que desejarem seguir viagem tomem seus assentos
e que renasçam seus olhos do condimento da fumaça
que fabrica as fábricas e os homens mecânicos

adoro lugares de passagem:
aeroportos,
 rodoviárias,
  estações de metrô
aos que desejarem seguir viagem
não se intimidem nem se encoragem
tomem seus assentos sem a certeza do amor

a próxima parada será confusa e alegre também
  siga o fluxo das pessoas
alguém deve saber qual ônibus terminará
o seu destino rumo ao trabalho
quiçá a saída ou outro itinerário

[mas com muita sorte, um dia,
no jorro de pessoas vomitadas pelo vagão
a gente irá se perder] 

o trem não



Escrito por Anízio Vianna às 14h52
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Desalarme no. 10

Uma Flor Contra a Barbárie©
[Anízio Vianna]

seu filho de oito anos
seqüestraram
mataram
no entanto
masataka ota construiu uma horta
no pátio do presídio onde estão os assassinos
decorar os caminhos que nos levam à paz
entender que nem tudo  é inteligível
que a sensibilidade pesa e a alma
intangível
não nos faz melhorar
mas uma flor contra a barbárie é o que procuro
chamo o resgate
contudo
somente a fé retira escombro
dos ombros

O Movimento da Paz e Justiça Ives Ota surgiu em setembro de 1997.
Na época, Masataka Ota havia perdido seu filho num crime bárbaro.
O menino Ives tinha sido seqüestrado e assassinado brutalmente.
A luta de seu pai começou quando uma comissão do Supremo Tribunal
de Justiça, em Brasília, propôs a redução da pena para crimes
hediondos de 30 para 15 anos, e se o preso tivesse bom comportamento,
a penalidade cairia para cinco anos. Então, surgiu a idéia de criar
um movimento para lutar pela aprovação da Lei Perpétua para os Crimes
Hediondos. De acordo com esta lei, os criminosos deveriam ir para uma
prisão agrícola para ter a oportunidade de recuperar a sua dignidade
através do trabalho na lavoura.

Masataka Ota construiu uma horta no presídio onde se encontram os assassinos.

Visite o site: www.ivesota.org.br.

Com esta homenagem a Masataka Ota eu encerro a publicação da série "Desalarmes, escritos de paz". Os outros poemas da série serão publicados em livro. Próxima semana volto à rotina: uma notícia, um poema-reportagem. 



Escrito por Anízio Vianna às 15h51
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Desalarme no. 6

Amo a humanidade através da minha mulher.
Quando a paz se apossa do nosso quarto,
E a energia se processa como previu Max Planck.
E não contamos a ninguém nosso salto quântico.
Amo a humanidade através do meu filho.
Quando a paz vem em seus primeiros passos,
E ele se desenvolve como queria Piaget.
E aprendemos juntos o abecedário.
Amo a humanidade através do meu cão.
Quando a paz me sorri abanando o rabo,
E o seu pedigree já não me importa
Amo a humanidade através dessa árvore.
Quando a paz é frondosa e as folhas dão sombra ao poema
Que escrevemos eu e Walt Whitman.
 



Escrito por Anízio Vianna às 11h47
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Desalarme no. 5

 

Saí desarmado —a paz no bolso—
não dei ouvidos ao noticiário e à minha mãe.

Atravessei a rua mais perigosa com uma única rosa:

—o meu coração —
A noite escorria duvidosa
desafiava as ordens do tráfico.

Sou de aço, duralumínio
e ferro de montanha.
arrojado como um rojão.

E a paz crescia no meu bolso
até o antebraço —raivosa —
eu amanheceria de novo.



Escrito por Anízio Vianna às 09h58
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Desalarme no. 4

sair a lume esse poema branco
que versa sobre a paz e nevoeiro.
não tem boas vestes esse poema cru
nem é maduro meu entendimento.

nada sei sobre a filosofia peripatética,
mas caminho enquanto penso.
e pensando a esmo eu sigo reto
até onde alcançam olhos de poeta.

entre chips de silício
e instantes de silêncio
o oráculo do mundo: a internet.

sigo as notícias, as romarias.
e cada verso me diverte
como as contas de um terço.



Escrito por Anízio Vianna às 21h02
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Desalarme no. 3

O homem apaixonado deveria ser interditado.
A paixão: estado de sítio; exílio da razão;
Auto-engano esganado pelo desejo
que me desenha
Com traços jovens.
(Outro alguém mais inteiro).
E almejar ser um outro.
Alvejado corpo enfermo.
Por instantes santo; sacrílego; solteiro;
Sacripanta ou sacristão.
A paz escorrendo pela safena.



Escrito por Anízio Vianna às 16h01
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Desalarme no. 2

Deus está confuso.
Mandou esta chuva intermitente apagar
o que ele não deixou escrito aos homens.
As religiões são para organizar a verdade.
Mas a resposta única, inequívoca e melhoralguém pensou ter:
e nasceu a primeira guerra santa.

E a religião veio a separar os homens dos homens
e, ainda agora — nesse instante — separa.
A cor da cólera tem um rastro azul de míssil teleguiado.
Os grandes mestres não deixaram nada escrito.

No entanto, à revelia de deus,
o homem inventou a Letra Sagrada, a Lei e a Sentença.
A religião no centro — inspiração demoníaca? —
Religando deus ao absurdo de lavar palavras
que nunca, nunca foram escritas.



Escrito por Anízio Vianna às 09h58
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Desalarme no. 1

a paz começa onde não sou capaz
sagradas as mãos com tuas chagas
cabo de enxada, calos, contusões
acabo de atravessar fronteira seca

às armas não

teu ás de espada (ensagüentada)
iniciará, lentamente, o desarmamento
sem chave sem chance em xeque
a paz começa onde estou só

meu front será teu fêmur

— alguém tem que começar —
desde ontem até sempre
uma criança (apaziguada pelo alimento)
ou a traça comendo a tua bíblia.



Escrito por Anízio Vianna às 10h57
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Desalarmes (Escritos de Paz)


Publicarei a partir desta semana uma série de poemas intitulada: "Desalarmes (escritos de paz)" Aproveitem e ouçam o meu PODCAST.



Escrito por Anízio Vianna às 15h18
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Poema-Reportagem no. 29

à D. Eloiza


Faço um poema pra me despedir do mar.
O mar não entende pedidos nem o aço das pedras.
Sente que sou da montanha e que ainda estou
Às margens do rio Arrudas, lugar onde nasci e hoje infância.
Vila Esplanada:
Presídio de mulheres, enchentes constantes.
Minha mãe me tirou de lá com suas mãos grandes,
De calos e reentrâncias.
Contra minhas mãos pequenas e lisas de professor.
Cumpriu à risca o fardo de fêmea:
Pariu meu irmão e eu.
Mas não rompeu a lógica das estatísticas.
Saiu de São João de Manteninha aos dezoito sem letra,
Com suposta data de nascimento na cabeça.
Desceu na Rodoviária Governador Israel Pinheiro,
Praça Rio Branco sem número.
E ainda, sob efeito do êxtase da cidade de Belo Horizonte,
Descarregou as malas, tirou certificado, identidade,
Carteira de trabalho e completou seu êxodo.
Esboçou seu primeiro sorriso diante do êxito de cruzar destino
Quase ilesa, com calos e reentrâncias nas mãos.
O médico diagnosticou alergia aos produtos de limpeza,
Leve tristeza e hipertensão.
Vila Esplanada:
Presídio de mulheres, enchentes constantes.
Minha mãe me tirou de lá antes da verticalização das favelas.
Ela segue sem religião mas,
Com uma fé abrupta,
Ora ao Senhor.
Não sei se com fervor ou um ódio apaziguado
Pelo excesso de amor.
Não sei se com alegria ou consternada
Pelos dias em que foi maltratada lavando chão.
Já freqüentou a Igreja Universal do Reino de Deus,
O Vale do Amanhecer,
As Católicas
E Seicho-No-Ie.
Descubriu que deus não mora numa sacada,
Não gira em torno de uma órbita.
E que, vez ou outra, Ele irrealiza os nossos desejos.



Escrito por Anízio Vianna às 20h54
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Poema-Reportagem no. 28

à Benedita da Silva©
[Anízio Vianna]
 
venceu e ao vencer: vitória de muitos
ainda que desinfetem o Palácio da Guanabara
e façam um inventário dos bens que compõem
o acervo das Laranjeiras
só porque ali passou uma negra
mas nos dizem que vistorias
são de praxe nas mudanças de governo
e mudanças (todos sabem)
são em doses homeopáticas
para aqueles que sujam na saída

venceu e ao vencer: vitória de muitos até que a nota estatística
de ser A PRIMEIRA MULHER NEGRA ELEITA NUM PLEITO
não faça sentido neste país
não tenha a cor de um feito notável
antes simples sinal de democracia
o que prescinde do orgulho negro
discursos inflamados e essa poesia
 

BENEDITA REAGE A GAROTINHO - A governadora do Rio, Benedita da Silva, quer entregar o Palácio das Laranjeiras ‘‘impecável’’ para sua sucessora, Rosinha Matheus, mulher do candidato derrotado do PSB à Presidência, Anthony Garotinho. É uma reação a uma frase de Garotinho, que disse esta semana que mandaria ‘‘desinfetar’’ o palácio antes da posse. Benedita deixará a sede do governo uma semana antes da posse para permitir que seja feita uma limpeza geral do palácio. ‘‘Vou mandar lavar os tapetes, limpar tudo”, disse a governadora. As declarações de Garotinho causaram revolta no PT do Rio, que decidiu processá-lo por injúria e racismo. (Agência Estado). Correio Brasiliense. Brasília, segunda-feira, 25 de novembro de 2002.

GAROTINHO PERDE 700 GRAMAS APÓS INICIAR JEJUM - O pré-candidato à Presidência da República pelo PMDB, Anthony Garotinho, perdeu 700 gramas desde o início da sua greve de fome, no domingo. Garotinho passou por exames nesta manhã e, de acordo com o boletim médico, assinado por Abdu Neme, ele está "lúcido, orientado, hidratado, com ritmo cardíaco regular, pressão arterial e cardíaca normais". O jejum de Garotinho foi motivado pelo que o candidato chama de "perseguição" da mídia. Segundo ele, as organizações Globo e a revista Veja são responsáveis por uma "campanha mentirosa e sórdida" para desconstruir sua imagem. Terra. Segunda, 1 de maio de 2006, 16h05  Atualizada às 16h04.



Escrito por Anízio Vianna às 20h01
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Poema-Reportagem no. 27

 

Tem dias que só um livro©

[Anízio Vianna]

 

Haverá noites de sono

para anjos e demônios?

Há sempre um Deus amargo na vida dos homens

e um dissabor que vem do ácido dos acontecimentos.

Cruzamos noites escassas

e nossas escamas

nas cercas se arrependem.

Fugitivos noturnos e atordoados

Buscávamos a paz e a paz não veio.

Manter a altivez do índio,

Recém convertido ao catolicismo, pouco vale.

Têm dias que só um livro

acompanha o fio do desejo

que a vida minha desenha no peito

com bico de pena.

Têm dias que a vida minha

é capítulo que não termina.

É preciso que os olhos ressequem

para que eu seja cada página.

Asa que deseja voar.

Parágrafo. Personagem.

Mero autor da canção.

 

DÍA DEL LIBRO - El 23 de abril se conmemora el fallecimiento de tres escritores: el español Miguel de Cervantes y Saavedra, el inglés William Shakespeare y del cronista Garcilaso de la Vega (el Inca), todos ocurridos en 1616. De esta forma, la Unesco en 1995, aprobó proclamar el 23de abril de cada año el "Día Mundial del Libro y del Derecho de Autor".



Escrito por Anízio Vianna às 12h03
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Poema-Reportagem no. 26

A Terra Vista do Espaço©
[Anízio Vianna]

ao ver azul a Terra lembrou dos olhos de mãe



Escrito por Anízio Vianna às 18h54
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